sábado, 13 de maio de 2017

Alinhavo sobre o joelho






O homem de branco
 
Francisco, é o peregrino da Humildade, de Esperança, da Paz, do Amor, da Verdade, etc. 
Revela um grande apreço por aqueles que são os estigmatizados ou excluídos da sociedade; os pobres, os desempregados, os abandonados, os marginalizados, os presos, os perseguidos, os doentes…

É polémico nas intervenções ao seio da igreja; 
inovador, carismático, revolucionário, compreensivo, tolerante, inteligente …

Francisco é o homem das multidões! 



A minha admiração 
PN 
 Fotos: NET

domingo, 7 de maio de 2017

Teresa



Teresa tem os dias trocados;
os ponteiros fugiram das horas,
as datas desprenderam-se do calendário
as estações vagueiam desgovernadas
e desconhece as figuras de estado.
Teresa ficou à margem
sorriso em jardim de sol aberto
incêndio em lábios de espuma
Ora tempestade, ora tranquilidade…
Basta aquiescer
amenizar os sons desarticulados
Vocábulos exasperados, vacilantes
bêbedos, por entre lentes individuais
Teresa, assaz palradora, quando menos se espera
saltam termos imprevisíveis, numa lógica atinada,
colorida, ritmada, bem timbrada e bem humorada.
Num estalar de dedos, eis que, rebenta provocação…
e Teresa desprevenida não se contém;
Os olhos não distinguem fronteira entre bem e mal,
certo ou errado; polido ou desengonçado
Resta um embaralho amalgamado …
memória míope resvala por ali abaixo, num tropel sem refreio
sem tino, a partir cascalho, trovejando penedos;
Uma fera a cuidar das crias, com tantos receios…
Ninguém atice a sua ira! É imperioso aplacar a raiva
Não lhe mostrem que é preto o que afinal aos olhos dela, é branco;
Momentos ensombrados, momentos surreais, momentos cruciais
Teresa não encolhe a língua
acérrima devota da espontaneidade
Teresa quer apenas o doce de um abraço, um terno beijo, uma palavra quente e branda.
Teresa já tem a idade lá mais para o fim da tarde
onde o ocaso cresce dentro do quarto, desliza tecto acima e lembra o céu…
E a claridade divina abre-se compreensiva ante os olhos febrosos;
sem sombra de mentira, ou fingimento, ou brilhos adulterados
ou maquiavelismos pintados
E se alguma vez aprendeu, já esqueceu
Há quem se ofenda
com as profícua exactidão
Quem a acuse de ser astuta e intragável
aquela que atira tudo à cara; mas…;
“A sra Dra é formosa como uma rosa” ou
“ A sra está gorda como uma porca”
Teresa não segura nada, … às vezes rajadas de metralhadora
chovem em todas as direcções e ai de quem tenta
açaimar -lhe a boca…
Se porventura, alguém lhe coloca a mão no coração
Teresa rende-se, derrete-se … põe-se um luzeiro
Sensata, prudente, confiável
pertinente, humor refinado,
perspicaz
gargalhada sonora e escancarada.
Teresa aprecia as plantas, flores e árvores de fruto e cães mansos…
fachadas de prédios grandes e antigos…
Teresa, ela mesmo, é a mais linda rosa, a menina de um qualquer jardim florido
PN
7 de Maio



                           NET

terça-feira, 25 de abril de 2017

Manuel Freire - "Pedro Soldado" poema de Manuel Alegre

" E tudo o vento levou"





Abril chegou
e pariu luz,
a verdade estendeu-se
e andou de boca em boca,
de sorriso em sorriso
de brilho em brilho,
tempo de  abundância
ouro, canela , marfim,
jeito de não ter fim!
Liberdade solta como uma louca
e foi bom!
sem laços forçados, sem agrafos, sem parafusos
ou outras ataduras
e os becos levantaram, as ruas esticaram
os edifícios alongaram
as cidades prosperaram e cresceram…
Paulatinamente, assim, num tom baixo, lento
vieram de longe sopros estranhos,
arrotos traiçoeiros. 
Vinham a compasso de ameaça…
Um ruído de abelhas assassinas
lançou tédio, confusão, pobreza, falta de pão
estragaram o conceito, profanaram a certeza
a luz a meio gás, tudo atirado por terra,
impiedosamente ,
Abril desfeito num golpe perfeito
E o vil metal a rir-se de nós … 

PN 25 de Abril de 2017




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Fénix purificada



O tempo que demorámos frente a frente…

um tempo só nosso!

Anos e anos a fio;

pacientemente, a puxar nós

na mais completa escuridão.

Um imbróglio sufocado em lixo tóxico,

a garganta apertada, urze áspera

Tinhas tanto para me ensinar

e eu tanto a escutar,

a minha concentração;

um tecido esponjoso

a absorver ; cada sílaba,  cada gesto

cada silêncio,cada sorriso

cada riso,cada provocação.

Ganhei asas; experimentei voos rasos e outros altos

Espantei os torpes, os deselegantes

Espantei os ambiciosos, os altivos

Espantei os covardes, os maliciosos

Espantei os intriguistas, os inimigos

Despertei iras, cobiças e ciúmes

Rasguei-me nos espinhos, piquei-me na sarça

E nesta tortura desencantada

masquei travo, vomitei azedume

Sangrei por dentro, chorei fundo e num frio leito me deitei

Baixei aos invernos e busquei salvação; tua chegada,

a mão estendida, carinhosamente compreensiva

Uma dádiva dos céus;…

ora navegando na vaga alterosa,

ora submergindo na profundidade da dor

a estrebuchar aflita e a querer respirar

E neste penoso agitar-se, contra galés invencíveis

com cordas a apertar, a sufocar as abdominais…

soltei-me das amarras!

Depois, depois falhaste, manobraste o destino da barca;

primeiro chegaram os atrasos, raramente prontidão…

Vinha sempre colada nos teus lábios sorridentes uma nota de arrependimento,

 trazias sempre uma desculpa engendrada

pronta a enfiar,

e eu mesmo a explodir, fingia que em mim não crescia uma fúria colossal

Não me quiseste dar a independência, teria de permanecer cega, de olhos

postos em ti, só em ti… Tinhas a ilusão que estaríamos uma para a outra até ao fim dos nossos dias…

Deusa, dona e senhora do meu destino, tu sabias tudo;

Panaceia dos iluminados,

queimámos etapas, ora podia ser, ora não podia ser.

farta do jogo de ilusionismo, manipulada até ao tutano,

depois de muito conjecturar, mudei de rumo.

Agora vou navegar sem ti,

não  sozinha, vou errar, vou acertar,

levo comigo tudo o que de ti aprendi!

PN 




Feliz Páscoa a todos os que me visitam!